Exemplos de solidariedade em família

Exemplos de solidariedade em família

Morar em uma cidade grande pode ser uma experiência solitária para muitas pessoas – é possível viver no mesmo condomínio por 10, 15, 20 anos sem saber pelo que passam nossos vizinhos, nem do que precisam.

Pois bem, não faz muito tempo, percebi que isso estava acontecendo com minha família… Depois de muitas conversas, entendi que, para mudar esse cenário, deveríamos começar a praticar a solidariedade dia a dia. Era a hora de ensinar aos meus filhos a importância da preocupação com o outro.

Foi então que me aproximei da Casa Ronald McDonald. No início, fiquei apreensiva com o que encontraríamos, mas sentia uma certeza: aquela visita transformaria nossa forma de ver o mundo. Eu só não sabia o quanto!

Do Oiapoque ao Chuí

Na primeira vez que fomos lá, uma cena me deixou de queixo caído, assim, logo de cara: presenciei uma conversa entre uma voluntária e uma mãe em tupi-guarani. Isso mesmo que você leu! Tupi-guarani, acredita?!

Isso foi na “Terra da Garoa”. A mãe índia e sua filha de 11 anos tinham chegado há uma semana na Casa Ronald McDonald São Paulo-Moema e TUDO era novidade: da TV aos computadores, da alimentação à língua, ou seja, imagine o desafio… Ao mesmo tempo, elas lutavam contra o câncer e vivenciavam um mundo novo, literalmente.

Não demorei para notar que as outras mães que estavam por lá, passando pelas mesmas dores, demonstravam cumplicidade, ainda que sem usar palavras: se apoiavam, se abraçavam, sorriam, transmitiam esperança, falavam a língua do amor.

Nada de solidão

Justo nesse dia, eles receberam outra visita especial: uma mãe que havia sido acolhida pela Casa sete anos atrás, quando, na época, seu bebê de 45 dias fora diagnosticado com câncer. Acabamos sendo apresentados a ela e conhecemos sua história.  

Ela disse que, quando chegou à Casa, se sentia devastada. Não tinha dado tempo de superar a depressão pós-parto quando soube da doença.

“Saí da minha cidade natal para um lugar totalmente diferente em busca de tratamento, sem estrutura emocional e física. Meu marido não podia parar de trabalhar para nos acompanhar. Eu achava que estava sozinha”.  

Enquanto falávamos, meu filho mais novo brincava com o filho dela, que tinha 7 anos. Eles têm a mesma idade.

No começo, dei mais trabalho que ele, afinal, por ser muito pequeno, não tinha consciência do que estava acontecendo. Mas a paciência, a atenção, o apoio psicológico que recebi de todos aqui foi o que me deu forças para enfrentar a doença. Esse suporte me fez acreditar que era possível vencer, e foi assim que segui todos os dias da batalha. Um carinho que não tem preço.

Nessa primeira visita, eu e minha família saímos de lá com a certeza de que sempre podemos fazer algo além do que estamos fazendo. O que achamos pouco pode ser muito para o outro.

Foi uma experiência que nos transformou para sempre.

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