Estudo que relaciona mutações a câncer infantil leva prêmio

Publicado 6 de agosto de 2015 em

Um estudo liderado por pesquisadores do A.C.Camargo Cancer Center identificou mutações ligadas ao desenvolvimento do tumor de Wilms, o câncer renal mais frequente em crianças. O trabalho, que abre caminho para novos métodos de diagnóstico da doença, venceu a categoria Pesquisa em Oncologia do Prêmio Octavio Frias de Oliveira.

A premiação é iniciativa do Icesp (Instituto do Câncer do Estado de São Paulo Octavio Frias de Oliveira), em parceria com o Grupo Folha. A láurea leva o nome do publisher da Folha, morto em 2007. Nesta sexta edição, o prêmio teve recorde de trabalhos inscritos, 60 no total –contra 15 no ano passado.

“A gente começa a ver o aparecimento de trabalhos em que se tem tecnologia de medicamento sendo gerada no país. Para nós, isso é importantíssimo. O Brasil ainda engatinha nessa área”, diz o oncologista Paulo Hoff, diretor do Icesp. Segundo ele, as indústrias farmacêuticas nacionais ainda têm foco na fabricação de produtos já conhecidos, e não de novas moléculas. “Temos que mudar isso, gerar mais tecnologia nacional. Mas, para isso, é preciso primeiro gerar conhecimento para depois gerar produtos”, afirma Hoff.

Pesquisa Vencedora – A pesquisa vencedora identificou uma mutação frequente em um gene (Drosha), que ainda não tinha sido associado ao tumor de Wilms, câncer que afeta uma em cada 10 mil crianças –a maioria na faixa etária de 2 a 4 anos. A pesquisa vencedora também apontou o provável impacto de ação da mutação na produção de moléculas de microRNA (que regulam a expressão de genes – um processo fundamental para a formação correta dos órgãos durante a gestação).

Os pesquisadores desenvolvem uma estratégia para achar mutações específicas do tumor em DNA colhido da urina de pacientes. A meta é obter um diagnóstico mais precoce e mais preciso. “Hoje, o diagnóstico só é possível quando já há uma massa tumoral palpável. A expectativa é conseguirmos meios para identificar o tumor em uma etapa mais inicial. Assim, a intensidade do tratamento poderá ser reduzida”, diz Dirce Maria Carraro, coordenadora do estudo. O trabalho, segundo ela, também abre perspectivas futuras de desenvolvimento de medicamentos mais eficazes e com menos efeitos colaterais que os atuais.

*Com informações do Jornal de Floripa.


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