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    Câncer infantil é um drama, mas recuperação pode chegar a 90%

    A última coisa que os pais pensam, quando percebem um filho doente, é que ele pode estar com câncer. Investiga-se vários tipos de doenças. E quanto mais tardio o diagnóstico, menores são as chances de cura.

    A oncologista pediatra Leniza Casta Lima Lichtvan, que atende no Hospital Erasto Gaertner, diz que o intuito de alertar os pais, pra que sempre pensem na possibilidade de câncer, não é assustar ou causar pânico. A ideia é estimular que o tratamento possa ser iniciado em tempo. “O que não é lembrado, não é feito diagnóstico”, explicou Leniza.

    Em 70% dos casos de oncologia infanto-juvenil há chances de cura. Quando o diagnóstico é bem precoce, a chance chega a 90%. Quando é descoberto dois ou três meses adiante, as chances de cura caem para 40%. A evolução da doença nas crianças é muito mais rápida que nos 
    adultos.

    Sem explicação – A médica explica que o câncer na criança é diferente do adulto. Na infância, geralmente ele está associado a células embrionárias e não há qualquer tipo de explicação pra seu surgimento. Já no adulto, são mais comuns os cânceres de células epiteliais. Alguns podem ser causados pelos hábitos do adulto, como fumar, tomar muito sol sem a devida proteção, etc. Os mais comuns nos adultos, segundo o Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (Inca) atingem a próstata, mamas, colo de útero, traquérias, brônquios e 
    pulmão.

    Sempre de olho na saúde

    Segundo a oncologista, a cada 100 novos casos diagnosticados no Erasto Gaertner, em média 97 ou 98 são em adultos e dois ou três em crianças e adolescentes. São cerca de oito novos diagnósticos infantojuvenis por mês. E pra que o diagnóstico seja precoce, Leniza aconselha: não leve seu filho ao pediatra somente nas horas das emergências. Faça acompanhamento periódico da saúde dele.

    Os sintomas do câncer podem aparecer de uma semana pra outra. A médica lamenta muito quando o diagnóstico é muito tardio o que, infelizmente, é muito comum, principalmente quando se tratam de neoplasias (câncer) que atingem o Sistema Nervoso Central ou os ósseos. “O paciente chega a passar por uma média de nove médicos, antes de descobrir que tem câncer e chegar a um oncologista”, lamenta. Mesmo assim, ao contrário do que muitos pensam sobre o câncer, o índice de óbitos é muito pequeno.

    Histórias se cruzam

    Solange Dorada, 37 anos, se viu obrigada a deixar seus afazeres profissionais pra poder acompanhar o tratamento do filho. Erick, hoje com 12 anos, descobriu a leucemia aos sete anos. Os sintomas que os levaram ao pediatra eram febre, cansaço, inchaço na barriga e pintas vermelhas na pele. O hemograma solicitado pelo pediatra verificou anemia. Desconfiado, já redirecionou a família a um hematologista, que constatou o câncer.

    “Na hora, você não quer acreditar. Se pergunta: por que comigo? Mas depois você respira fundo, porque tem que seguir em frente”, descreveu Solange, que ficou um mês sem dormir depois de receber o diagnóstico, tentando aceitar o que o oncologista falou, de que a doença tinha cura. 
    Karine Lemes de Almeida, 24 anos, também se assustou com o diagnóstico de leucemia do filho, Diogo Gabriel, de 5 anos. Moradores de Telêmaco Borba, ela diz que o filho sempre foi muito saudável. De uma hora pra outra, passou a ficar pálido. O pediatra solicitou um hemograma, que constatou todos os índices abaixo do normal e encaminhou a família a um hospital em Ponta Grossa. Lá, o terceiro profissional que atendeu Diogo, um hematologista, confirmou da doença, colocou a criança numa transfusão de sangue e imediatamente mandou a família pro Erasto Gaertner, em Curitiba. Diogo está há sete meses em tratamento, reagindo bem.Tratamento é urgente

    Os gastos com o tratamento de câncer no SUS aumentaram 357% nos últimos 14 anos. De acordo com o Ministério da Saúde, o investimento em tratamento de câncer no ano passado foi de mais de R$ 3 bilhões. O ministério prevê ainda investimento de mais de R$ 400 milhões em radioterapia pelo SUS nos próximos três anos.

    Ainda assim, faltam 71 hospitais habilitados em oncologia pelo SUS, a maioria nas regiões Norte e Nordeste.

    A Lei Federal 12.732, sancionada em novembro de 2012, determina que pacientes com câncer devem começar a tratar a doença pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em até 60 dias após o diagnóstico. Quando o paciente em questão é uma criança, o tratamento deve começar imediatamente.

    Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (Inca) em 2015, no Brasil devem ser registrados 11.840 novos casos de câncer entre crianças e adolescentes. O câncer é a segunda causa de morte (1%) no público infantojuvenil (só perde pras doenças infecciosas).

    *Com informações do Paraná Online.

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