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    Joyce Andrade e seu conjunto excepcional de experiências

    Foi numa dessas tardes de domingo que conheci Joyce. Ela me recebeu na Casa Ronald McDonald São Paulo/Moema. Eu, como sempre, fui resgatar minha forças me contagiando com a energia potente e colorida daquela casa. Já no portão eu recebi o que precisava: o sorriso de Joyce me convidando a entrar.


    Sempre imaginei que as casas de apoio fossem lugares de muita tristeza. Nunca errei tanto em minha vida. A Casa Ronald McDonald, apoiada pelo Instituto Ronald McDonald, é uma fonte de alegria e positividade. Aqueles lugares que te ensinam a olhar a vida com um pouco menos de rancor. Sabe?

    Todos lá estão travando uma guerra, mas também têm uma gratidão imensa pela vida. E não tem nada mais forte do que a gratidão.

    A Joyce é a personificação desse sentimento. Sua história cruzou com a causa do câncer após a perda de Heloísa, como ela mesma define, “eu tenho o privilégio de ser mãe de um anjo de verdade”.

    Transformando dor em força

    Há 12 anos, Joyce enfrentou exatamente a mesma batalha que todas as mães hospedadas ali na casa enfrentam. Sua filha de 9 anos foi diagnosticada com câncer. Naquela época, o conhecimento sobre a doença ainda era muito restrito e o tumor na medula de Heloísa foi considerado benigno.

    “Hoje eu sei que ela poderia ter recebido outro tratamento e cuidado de forma diferente, o avanço da medicina faria muita diferença”.

    Atualmente, as chances de cura do câncer infantojuvenil chegam até a 80%. A evolução da medicina e a ampliação do Diagnóstico Precoce mudou todo o cenário da doença desde que Heloísa foi diagnosticada.

    Foi através dos médicos do GRAACC que Joyce chegou até a Casa de Moema. Depois da partida de Heloísa, ela decidiu doar as roupas, sapatos e brinquedos da filha para a Casa.

    De lá para cá, foi se aproximando do voluntariado na Casa Ronald McDonald. Foi devagarinho, uma visita esporádica, um domingo brincando com as crianças, uma participação especial nos eventos. Hoje, ela é coordenadora de voluntariado.

    “Durante 8 anos eu fiz algumas visitas, fiz a inscrição por 3 vezes, mas acabei não sendo chamada. Acredito que tudo aconteceu na hora certa. No início de 2017, assumi como voluntária, as coisas foram acontecendo e hoje sou coordenadora de voluntariado.”

    Antes de ser voluntário, é trabalho!

    A relação de Joyce com a Casa foi ganhando cada vez mais espaço no seu coração. A dor e a saudade continuam ali, junto com esperança e cuidado. Joyce reconhece a própria história na luta das mulheres que passam pela Casa. Por isso, uniu sua própria trajetória com suas habilidades profissionais e, agora, ajuda outras mães a vencerem o desafio do câncer.

    “Eu comecei brincando, hoje sou coordenadora. Na minha vida profissional eu estou acostumada a fazer gestão de pessoas, então tomei para mim a responsabilidade e levo com compromisso e trabalho minha função aqui.”

    Para Joyce, o trabalho voluntário é um conjunto de experiências que precisam sair do campo das ideias e virar vivência.

    “A gente tem que ter as vivências, não ficar só no ‘e se eu isso’, ‘se eu aquilo’….a gente acha que o voluntário está doando, mentira, a gente ganha muito mais do que doa. É preciso experimentar. Então, se está na dúvida, venha conhecer, venha participar!”

    E aí, que tal aproveitar o clima de solidariedade do Natal para fazer sua ideia de ser voluntário virar realidade?

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